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São Paulo Restaurada

Anteriormente, falei sobre a denúncia feita pelo fotógrafo Douglas Nascimento e pela historiadora Glaucia Garcia contra o descaso para com o patrimônio histórico paulistano, através do site São Paulo Abandonada. Pois bem, os dois têm pique e também são responsáveis pelo São Paulo Restaurada, site que fala entre outras coisas, sobre o caos urbano em São Paulo e como o nome sugere, sobre inciativas de restauro de edifícios públicos (ou não) que fazem parte da paisagem da metrópole.
Muitas fotografias, notícias e vídeos sobre o cotidiano da cidade (eu destaco o vídeo "Sem-tetos invadem a casa de Sílvio Santos". Para quem não sabe, o colega de auditório comprou várias casas históricas no Bairro da Bela Vista, o famoso "Bixiga". Diversas já foram demolidas).

* No alto, foto da Escola Estadual Conde do Parnaíba, na Rua Barão de Jundiaí nº 1106. Esta escola foi tombada pelo Patrimônico Histórico e devidamente restaurada. Foto extraída do site São Paulo Restaurada.


São Paulo Abandonada


Como toda paulistana que se preze, cresci ouvindo os "causos" da cidade. Desde pequena eu tinha um interesse quase exagerado pela São Paulo antiga. Vasculhava em livros antigos (a biblioteca era meu lugar favorito para fazer lição de casa) qualquer vestígio sobre o passado de São Paulo. Queria saber como eram os costumes, como as pessoas se vestiam, como eram as casas das décadas passadas.
Quando me tornei adolescente, não mudou muita coisa. Só troquei a biblioteca pelo Centro Cultural Vergueiro, onde eu passava horas e horas diante dos microfilmes, consultando jornais antigos (lendo, entre outras coisas, os obituários - coisa que faço até hoje).

No começo deste ano descobri um projeto chamado São Paulo Abandonada. Trata-se de uma iniciativa de Douglas Nascimento (fotógrafo) e Gláucia Garcia (historiadora). Eles saem por aí, com suas câmeras em punho registrando imóveis históricos e tradicionais de São Paulo, infelizmente deteriorados por falta de conservação.
O trabalho deles é acima de tudo uma denúncia, um grito contra o desrespeito à memória.

Através do site, os internautas também podem contribuir, enviando suas fotos-denúncia. Para quem ficou curioso, basta acessar o site do São Paulo Abandonada e ver as centenas de fotografias em exposição (todas divididas por bairros). Vale a pena.

Toninho

Era quase 17 horas de uma segunda-feira. O trânsito intenso, o fazia lembrar que estava em São Paulo. Buzinas, motoboys ziguezagueando entre os carros. Pela janela, o céu é cinza e as nuvens da infância deram lugar à camada de poluição característica das metrópoles.

"Toninho!" Por um instante pensou que estar louco, pois há anos era o Chef Tony, daquele renomado restaurante que insistia em encabeçar a lista dos mais sofisticados da cidade.
"Toninho!". "Não, não pode ser. Deve ser stress, ou fome", pensou. Passou o dia inteiro elaborando e testando novas receitas, revisando cardápios, cotando preços... era dia de folga no restaurante mas apesar disso era também mais um dia de trabalho árduo.
Alternava a distração com a paisagem urbana com a atenção ao volante, até que mais uma vez ouviu aquela mesma voz, dizendo "Toninho".

Num rompante de decisão, mudou seu caminho assim que a luz verde do semáforo brilhou. Havia anos que não seguia por ele, de modo que agora vários arranha-céus cortavam a paisagem. Definitivamente, o progresso avançava inclusive por lá, onde as alamedas arborizadas de ruas tranqüilas e casas térreas geminadas de sua infância pareciam ter ficado restritas à memória.

Vinte minutos depois, reduzia as marchas e pisava menos no acelerador. Não em razão do congestionamento, que havia sido deixado para trás (na Marginal Pinheiros), mas para que a memória se "refrescasse" e finalmente encontrasse alguma pista.
Estacionou (depois de alguns minutos de procura por uma vaga) e prosseguiu a pé. Reviu a pracinha (impossível não lembrar daquele tempo em que jogava bola de gude com os amigos), sentiu falta da antiga mercearia (que agora era uma lan house repleta de adolescentes) mas ainda encontrou o boteco de "seu Mathias", o octogenário torcedor da Lusa (ovos coloridos na estufa e o mesmo velho pôster amarelado de sua Portuguesa de Desportos campeã do Torneio Rio-São Paulo de 1955).

Sentiu um inconfundível cheirinho de café (desses, coados no coador de pano) passeando pela rua e foi então que se deu conta de que aquela voz que lhe chamara instantes antes era mais que um provável delírio.
"Toninho!" Olhou para trás e viu aquela senhorinha de cabelos brancos e avental amarradinho à cintura. O coque no alto da cabeça e os olhinhos miúdos e marejados não deixavam duvida: era tia Cotinha.

O abraço apertado dado pela pequenina mulher trouxeram à tona anos de história familiar.
Do portão da casinha (que sobrevivera heróica ao progresso) podia-se sentir o cheirinho daqueles biscoitos amanteigados que encantaram durante anos a família e a vizinhança "intrometida".
Havias muitas lembranças e muitas histórias para serem postas em dia. À primeira mordida naquele biscoito vieram as lágrimas nos olhos de Toninho.

Nada como o gosto da infância ressurgindo em forma de comida...

Coisas que não poderiam ter voltado

Gente, estou horrorizada! Estamos em pleno século XXI e eu ainda tenho me deparado com coisas que meu cérebro já havia deletado há anos. Roupas, calçados, penteados, acessórios... Só para citar alguns exemplos:

Hoje em dia, Melissa é fashion. Antes era uma sandália de plástico, que causava suor nos pés (e um conseqüente "lodo" entre os dedos). As meninas pediam porque se interessavam pelo relógio digital ou pela bolsinha que vinha de brinde.



Chinelo Havaianas era atestado de pobreza (e não adianta vir com aquele papo de "Ah, eu adorava usar quando era criança..."). Os moleques que viviam na rua tinham o seu, com a alça devidamente presa por um prego (atravessado por baixo da sola de borracha). Com muito orgulho, eu nunca usei e jamais usarei. É questão de gosto sim, e eu achava ridículo demais para calçar uma coisa dessas.
Hoje em dia, depois que os gringos descobriram Havaianas, o preço subiu, os artistas globais usam e a Revista Caras fotografa.


Conga... era o tênis oficial das crianças do jardim da infância (o famoso "parquinho). Juntamente com o shortinho balonê vermelho (com elásticos nas pernas, que apertavam as coxas das pobres crianças - principalmente das "coxudinhas" como eu) e camisetinha branca, compunha o uniforme sujo de areia (pesadelo das mães). Assim que fui promovida à 1ª série do primário (hoje, fundamental), joguei o meu par no lixo para "nunca mais"...


Cabelo Mullet. Eita coisa horrorosa! Não conheço uma pessoa no mundo que tenha coragem de tirar do fundo do baú aquela fotografia em que o mullet ficou eternizado. Ter usado mullet (ou o cabelo "poodle" da Bonnie Tyler) é um atestado de passado fashion condenável.
O pior foi o retorno de um penteado tão feio às ruas e passarelas. Agora, para o povo da moda e para os adolescentes adeptos do estilo Emo, o mullet é sinônimo de "tendência". Jesus me defenda!



Polainas...
Foram sucesso no figurino de Jeniffer Beals em "Flashdance". Minha mãe dizia que eram "para esquentar". Esquentar o quê? As canelas? Prefiria usar duas calças de agasalho. Qual era a real utilidade disso? Até hoje me pergunto. As polainas dividiam opiniões mas hoje em dia, até na balada tem mulher usando, e o que é pior: com salto alto...


A tendência de maquiagem
agora é a das cores fortes, estilo New Wave, estilo Cyndi Lauper, estilo Viúva Porcina. E eu que pensei que todo mundo tivesse jogado fora as sombras verdes e os batons rosa-choque...


Você deve pensar: "Caramba, de que diabos essa mulher gostava afinal?" De muita coisa, exceto o que listei acima.
O que vejo de positivo nesse revival de coisas antigas, é a volta de algumas coisas que eu gostava como por exemplo, tênis em edições "clássicas". Eu amava o Nike Air Cross Trainer e soube que ele voltou. Ainda não achei nas lojas mas será minha próxima aquisição para enfrentar a academia.


Agora, se me dão licença... Estou indo ao supermercado. Com um figurino super adequado:





Você se lembra?

Colegas minhas, amantes do "craft" (nome que se dá a arte dos trabalhos manuais ou novo nome que se dá a artesanato) fizeram uma petição à Reader's Digest solicitando a reedição do Grande Livro da Costura - e deu certo! Depois de décadas, o livro vai voltar, para a alegria da nova geração de mãos-de-fada...

Você se lembra dos Caramelos de Leite Nestlé?
Pois eu me lembro até do sabor, daquela sensação dele dissolvendo na boca. Ah, como era gostoso...
Por que meus amigos e minhas amigas de blogosfera não fazem uma petição à Nestlé solicitando a volta dos Caramelos de leite? Em nome da nossa memória gustativa, da nossa infância, da nossa gula...
O que acham?


Eles derretiam mesmo... mas por que não existem mais?

Você se lembra? Sessão da Tarde

Muita gente sabe o quanto eu gosto de relembrar a infância. Sou muito ligada à memória (olfativa, visual, auditiva e principalmente gustativa). Meu namorido às vezes me chama de Rain Man (numa alusão ao personagem interpretado por Dustin Hofmann neste filme) pois diz que eu me lembro de coisas improváveis de serem lembradas. Confesso que morro de medo de sofrer de Alzheimer precoce, pois normalmente não me lembro de coisas que ocorreram há 3 meses por exemplo (minha memória recente é meio falha) mas recordo de coisas ocorridas há mais de 20 anos.

Para começar meu passeio pelo baú de memórias...



"O Corcel Negro" (The Black Stallion, 1979) - Eu chorava todas as vezes em que assistia a esse filme. Acho que foi graças a ele que eu comecei a gostar de Turfe (corridas de cavalo). Conta a dramática história de um menino chamado Alec (Kelly Reno), que sofre um naufrágio e é, junto com cavalo (que era transportado no mesmo navio) o único sobrevivente. Os dois são resgatados depois e na cidade, os dois se separam. O menino sofre à procura do cavalo e a história começa...


Quem não se lembra de "A Garota de Rosa Schocking" (Pretty in Pink, 1986)? Foi um dos meus filmes preferidos da Sessão da Tarde. A atriz principal, Molly Ringwald era o patinho feio que acabou conquistando o cara mais popular da escola (interpretado por Andrew McCarthy, o galãzinho das adolescentes da época), dando até uma certa esperança para muitas garotas da vida real.

O casalzinho que deu asas às imaginações das garotas sonhadoras: Blane (Andrew McCarthy) e Andy (Molly Ringwald)

Hoje ele tem 47 e ela tem 41 anos. O tempo passa, minha gente...



Outro clássico das tardes era "Te Pego lá Fora" (Three O'Clock High, 1987). Jerry Mitchell (Casey Siemaszko) vai dar as boas-vindas a Buddy Revell (Richard Tyson), um aluno recém-chegado ao colégio onde estuda. O cara tem fama de psicopata e não suporta ser tocado. É exatamente isto que Jerry faz e Buddypromete que ao final da aula vai quebrar a cara do coitado.

O valentão e o pobre coitado acertando as contas em "Te Pego lá Fora"




E atualmente, "um pouco" mais maduros

E você, também assistiu a algum destes filmes na Sessão da Tarde? Bons tempos...



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