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Vamos pensar um pouco?

Há alguns dias recebi um e-mail que sinceramente, me deixou um pouco atordoada, me fazendo questionar se eu realmente faço parte de um grupo que se auto-define como "sustentável" (aquela coisa toda sobre "responsabilidade socio-ambiental" e afins (que já foram abordadas anteriormente por aqui).

Diariamente falamos sobre Gastronomia. A mídia nos bombardeia com críticas sobre restaurantes glamurosos, refinados, bem-decorados, com suas cozinhas comandadas por chefs "estrelados". Amigos nos indicam restaurantes que já visitaram - e aprovaram e então... lá vamos nós.

O que não sabemos e dificilmente saberemos - a menos que alguém nos relate - é a verdade por trás de tudo isso. Eu falo mais do que meramente origem de matéria-prima, validade de produtos, condições de manipulação dos alimentos...
Eu falo sobre algo que não pode ser colocado para "debaixo do tapete" ou, para "debaixo das bancadas" das cozinhas. Falo sobre as condições de trabalho às quais os trabalhadores do ramo de A&B estão submetidos. Nem eu, nem você sabemos o que se esconde por trás dos milhões de reais investidos em equipamentos, localização, enxoval, decoração...

Aí você se pergunta: "E o que eu tenho a ver com isso?". E eu te respondo: "Tudo!"
Afinal, é o seu dinheiro - sim, o seu dinheiro! - que faz todo esse mercado existir. É o seu dinheiro que determina se um restaurante se mantém de portas abertas (quando você o prestigia e o divulga a seus amigos), ou se fecha de vez (quando a comida é horrível, o atendimento é ruim, a relação custo - benefício não compensa...).

Da mesma forma como você se recusa a usar casaco de pele porque é "ecologicamente incorreto" e não compra produtos manufaturados por mão-de-obra infantil porque é absurdo empregar crianças (que devem brincar e estudar), você se recusa a dar o seu dinheiro a um restaurante que trata seus colaboradores como lixo?

Arrisque-se!

"Era de manhã ainda quando ele lhe mandou uma mensagem dizendo que chegaria mais cedo em casa ("Chegarei mais cedo em casa, acabei de ser demitido. Beijos, te amo". Foi assim mesmo, rápido, direto, sem rodeios).
Ela não se assustou afinal, já era previsível. Ele não andava contente com a falta de reconhecimento, o baixo salário... Semanas atrás já havia lhe perguntado se seria amado mesmo se na Carteira de Trabalho houvesse o carimbo de sua demissão.
"Que pergunta idiota! Eu não me casei com seu chefe, eu me casei com você!", foi sua resposta.
Para quem acabou de ser demitido, até que ele estava bem contente. E ela sabia o porquê. Agora, ele voltaria a se dedicar exclusivamente à sua empresa (que andava em segundo plano). Agora teria tempo para atender sua clientela e buscar novos clientes; voltaria a ser seu próprio chefe - faria algum sentido empregar seu talento em algo que lhe desse algum retorno. Poderia controlar melhor o tempo para eles (e quem sabe, ela também pudesse dar uma força, ajudá-lo a investir no sonho dos dois...)"

Muita gente deve ter lido esse pequeno relato acima e pensado: "Tá, mas e as contas?". Em cerca de 3 semanas, acho que esse é meu 2º post sobre esse tema (trabalhar e casa, apostar em si mesmo). Não, eu não sou uma daquelas golpistas que oferecem 3.000 reais por mês para quem trabalhar em casa com mala-direta (desde quando escrever em envelope dá dinheiro? Talvez só funcionasse com as filhas do Sílvio Santos: "Paiê, pode me dar um vale da minha mesada?").

Muitas amigas conversam comigo sobre talento sufocado, não-reconhecimento, e ao mesmo tempo sobre a necessidade de um trabalho para bancar as contas de casa. Ontem mesmo, eu estava conversando com uma amiga que está em licença-maternidade, curtindo sua primeira filha e de coração partido com o retorno ao trabalho. Nessas horas, a razão e a emoção batem de frente e milhares de dúvidas vêm à cabeça.

E numa hora dessas eu começo a pensar nos nossos chefes que tiveram a ousadia de acreditar em seu talento para ganhar dinheiro, em sua ousadia de se recusarem a ter um chefe para enfim, serem o chefe. Eu penso se é mesmo real aquela história do tiozinho que o Globo Repórter mostra, que começou um negócio próprio com 200 reais.

Eu penso no medo das contas batendo de frente com o medo de tentar, de se arriscar a ser feliz.

Para quem está passando por esse dilema, nesse exato momento, dedico essa postagem e ofereço meu abraço.

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